Itinerários
Propomos uma série de leituras, diálogos e conexões entre diferentes peças do catálogo sob a forma de ensaios escritos, audiovisuais ou sonoros.

Emma Kunz, una adelantada colosal e inclasificable, 2025
Ensaio
Emma Kunz pertenceu a uma geração de visionários, e especialmente de visionárias2, que alcançaram um reconhecimento significativo em suas áreas e aproveitaram esse poder, essa popularidade e esse status para organizar e fortalecer grupos (que incluíam médiuns, canalizadores, videntes, artistas, curandeiras e espiritualistas) que estão na origem da primeira aspiração feminina ao sufrágio em diversos países da Europa e nos Estados Unidos.
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Mirada, deseo y muerte, 2025
Ensaio sonoro
Para o poeta Franco Rivero (Corrientes, Argentina, 1981), o olhar é o mecanismo que coloca a criação ou a aniquilação em movimento. Utilizando seu poema Juegan a la pelota cuando llueve, e em diálogo com Un chant d'amour, de Jean Genet, e notas sobre dança, de Chantal Maillard, Rivero fala aqui da linguagem, do desejo, do olhar. Do olhar da autoridade que secretamente deseja e, por isso, mata. Do olhar do poeta que escreve sobre o que deseja.
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Literatura que faz justiça, 2025
Ensaio sonoro
Em sua leitura de O invencível verão de Liliana, de Cristina Rivera Garza, Jorge González Jácome vê uma lição exemplar dos vínculos entre o direito e a literatura e da capacidade que a narrativa literária pode ter de complementar - e até mesmo de substituir - a justiça.
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Una fina capa de polvo, 2024
Ensaio sonoro
Em sua leitura da tragédia de Sófocles, Carolina Sanín vê o gesto de Antígona como um ato radicalmente feminino, animal e amoroso, capaz de resistir e transcender as leis humanas; um gesto que prefere o sopro à marca e, assim, mostra a possibilidade de uma nova escrita. Essa leitura releva, embora contemple, a interpretação clássica de Antígona como expressão da desobediência civil e da tensão entre a justiça dos homens e a justiça natural.
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Arte e direito. A lição de Artemisia Gentileschi, 2024
Ensaio sonoro
Por meio da representação realista de grandes histórias protagonizadas por mulheres, especialmente das suas diferentes versões de Susana e os velhos, a obra – e a vida – de Artemisia Gentileschi nos convidam a imaginar a realidade e a justiça despojadas da sua violência atávica.
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Despojada e nua: identidade, corpo e casamento em uma pintura do século 15, 2024
Ensaio
Despojada de suas roupas e completamente nua, uma mulher enfrenta o olhar do pai, do futuro marido, de seis mulheres e seis homens. A cena parece evocar um arquétipo recorrente em nossos sonhos: a imagem de nossa própria nudez – indesejada e imprevista – em público. Na verdade, essa imagem se encontra em uma pintura florentina do século 15 que representa uma cerimônia de casamento. A nudez da protagonista, contudo, rompe com a iconografia tradicional do casamento, insinuando assim que o episódio não corresponde a uma situação convencional da época.
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Soldaderas e partisans: Desigualdade de gênero nas revoluções através das histórias de Elena Poniatowska e Svetlana Aleksiévitch, 2024
Ensaio
Situadas em épocas e latitudes diferentes, Poniatowska e Aleksiévitch apelam de forma similar a uma memória feminina que serve de contrapeso à história institucional que tende a apagar a participação das mulheres nos combates e nas guerras que sustentam o ideal patriótico. O discurso oficial das esquerdas, nesse sentido, é quase idêntico ao das direitas, enquanto a história das vitórias de ambos os lados acaba reproduzindo a visão patriarcal da historiografia bélica tradicional, composta principalmente por heróis grandiloquentes que se arrogam as façanhas coletivas.
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Origem e delação do patriarcado na Bíblia, 2023
Ensaio sonoro
Ao homem Ele disse: “Porque ouviste a voz da tua mulher e comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer, amaldiçoado será o solo por tua causa. Com sofrimento tirarás dele o alimento todos os dias da tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e ervas daninhas, e tu comerás das ervas do campo. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até voltares ao solo, do qual foste tirado. Porque tu és pó e ao pó hás de voltar”.
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O arquivo de imagens da memória contra as armadilhas do esquecimento, 2023
Ensaio sonoro
O Arquivo da Memória Trans fornece um relato das sobreviventes de um crime policial e estatal permanente. É um arquivo relativo ao desejo: ao desejo de viver, de ter uma vida longa, mas é também o registo das paixões e das derivas vitais dos corpos que exalam a liberdade de terem se escolhido e autodeterminado.
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Laura Mulvey, o prazer visual e Enigmas da Esfinge, 2023
Ensaio
É difícil encontrar textos críticos ou teóricos que tenham tido uma influência tão direta na história do cinema como o ensaio Prazer Visual e Cinema Narrativo, de Laura Mulvey, publicado em 1975, sobre o lugar ocupado pelas mulheres no cinema narrativo.
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Poesia, esse muro de contenção perante o espanto, 2022
Ensaio
Sofi Oksanen e Chimamanda Ngozi Adichie, ambas muito jovens –25, 26 anos– quando causaram impacto no mundo das letras com a publicação de seus primeiros romances, têm dois aspectos notáveis em comum: por um lado, a intenção expressa e confessada de ambas, de criar uma obra que colocasse sobre a mesa a versão crua da história de seus respectivos países.
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Los inmunes, 2022
Ensaio
Quanto vale a vida de uma simples mulher comparada com as realizações de quem, nas palavras do presidente Obama, foi o melhor senador democrata da história dos Estados Unidos? Essa foi a pergunta que a escritora Joyce Carol Oates se fez após a morte do senador Edward Kennedy em 2009. A simples vida da simples mulher era a vida de Mary Jo Kopechne, que morreu em 18 de julho de 1969 no acidente de Chappaquiddick.
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A busca de uma perspectiva feminina em Virginia Woolf, 2022
Ensaio
Para entender o olhar feminino no processo criativo de Virginia Woolf, é importante destacar a relação entre suas memórias, reunidas em Momentos de vida, as considerações literárias expostas em Um quarto só seu e em alguns ensaios como The Leaning Tower, contos como “A marca na parede” e, é claro, Mrs. Dalloway.
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Volverse aire, 2018
Videoensaio
María desapareceu em 2011 em uma estrada no noroeste da Argentina. Em 1976, durante a última ditadura, Laura foi sequestrada quando estava grávida de quatro meses. Em 1875, Ema foi capturada pelos índios em meio a uma feroz luta pela conquista do território. As três tiveram o mesmo destino: as três viraram ar. Em uma recorrência próxima ao costume, cada um dos últimos três séculos expressa um destino semelhante para a existência feminina.
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Juan Rulfo: um olhar poético sobre o feminino, 2022
Ensaio
Em alguns contos de Chão em chamas, a partir de uma consciência masculina, Rulfo atribui à mulher um determinado atributo que a torna inesquecível.
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Três mulheres, dois séculos, dois livros, 2022
Ensaio
Madame Bovary e Las hermanas. Gustave Flaubert e Iván Hernández. Meados do século 19 e fim do século 20. O que emparenta esses dois escritores tão distantes no tempo e em seus mundos? O fascínio pelas mulheres, ou melhor, pelo sentido do feminino, pela essência do feminino.
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O ideal da mulher livre, 2022
Videoensaio
Alice Guy Blaché propôs uma leitura singular para falar a partir do ponto de vista das mulheres e para as mulheres. Deu elas papéis com um protagonismo incomum para a época e propiciou pontos de vista a partir dos corpos (a maternidade ou a renúncia a ela) e da vontade de quebrar os códigos impostos.
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As imagens de Diane Wellington, 2022
Videoconferencia
As imagens de Diane Wellington é uma conversa que aconteceu no dia 20 de outubro de 2020 para o lançamento de La Imagem Justa. Marta Andreu e Esteban Restrepo foram convidados por Cristina Motta para discutir cinema e justiça em Diane Wellington, curta-metragem documental de Arnaud des Pallières.
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Aberrantes, histéricas, insurrectas, 2022
Ensaio sonoro
Jacqueline Nova e Feliza Bursztyn operaram máquinas. Havia algo profundamente subversivo em duas mulheres operando máquinas. Porque a máquina, essa ferramenta do capitalismo, da revolução industrial e do progresso, era operada por homens. A máquina grande, a máquina industrial, a máquina do pensamento era coisa de homens. Mas Nova e Bursztyn conseguiram; elas operaram máquinas, ou os restos das máquinas. Uma fazendo música eletrônica, a outra esculpindo, elas trabalharam fora do sistema, com o que fica fora do sistema, e criaram som, criaram forma, criaram um mundo.
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Natalie Wynn - ContraPoints, 2016
Ensaio
No cenário turbulento do debate público da internet nos últimos anos, a figura de ContraPoints foi se tornando imprescindível. Essa ferina pensadora/divulgadora/performer trans desmonta argumentos extremistas e reflete sobre o presente para repolitizar a discussão sem deixar de lado seus componentes emocionais.
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